Antes de mais nada, só quero lembrar que as opiniões aqui contidas são de total responsabilidade do autor individualmente (ou em conjunto, apenas quando citado), não representando necessariamente a opinião de todos os escritores do portal "Aqui É O Que?". Assim sendo, quero numerar alguns pontos:
1) ao meu ver, votar no Tiririca foi realmente um protesto (infeliz, como comentado). Assim o vejo por claras evidências da opinião dos entrevistados sobre o assunto, já que todos diziam que "pior que tá não fica" (sic), "lá só tem palhaço, mesmo" ou "é assim, já que nos fazem de palhaço". Existem, obviamente, pessoas que votam no Tiririca por pensar que ele pode ser um bom candidato, mas não devemos tomá-los como maioria ou massa organizada. Mas obviamente ninguém pode dizer que votou nele por causa das propostas apresentadas...
2) Outros, em grande quantidade ou não, votam no tiririca apenas por não levar a sério a eleição. Aí, amigo, a culpa é sua. A culpa é minha, nossa; a culpa é de todo cidadão que ouviu isso e continuou andando. De todo cidadão que tem voz, mas continua calado e se torna conivente com a situação. Entenda que, democraticamente, ninguém é obrigado a pedir votos apenas de pessoas conscientes, oras. É cabível a nós, "sujeitos-não-tão-infelizes-assim", mostrar que política é coisa séria. - acho que já escrevi algo parecido antes... -
3) Democracia não significa, jamais significou, nem nunca significará "ato de revolução". É necessário um conhecimento do tema para se entender a diferença entre greve e revolução, greve e guerra, guerra e revolução. Assim, veja que greves existem... mas as leis, obviamente, também.
4) Sua opinião aqui foi registrada integralmente, e a minha também. Nós vivemos, Anônimo, em um Estado de democracia "realista" (explicarei em "5"). Nós temos, sim, o livre direito de defender nossas opiniões. Assim, sendo a televisão, o rádio e os jornais concessões privadas, estes têm o total direito de defender a opinião que lhes convém. A culpa não é da política. A culpa é do interesse político dos meios de comunicação. Um possível canal público, a molde de "TV Senado", "TV Assembléia", deveria mostrar os órgãos públicos como funcionam, sem opiniões, apenas o "cru". E por acaso é assim que é.
5) Democracia normalmente é confundida dentre seus quatro âmbitos. Recomendo então uma leitura do Livro "Política", de Aristóteles, o "grande pai da democracia". Democracia é constitucional, censitária, factual ou popular. Com excessão à última modalidade, o Brasil vive as três formas simultaneamente. Felizmente, pois a democracia popular é a mais aterrorizante forma existente. Onde não existem ordens, onde cada um faz a sua própria lei, onde haveria um único tirano com 190 milhões de pares de olhos, 380 milhões de braços e pernas. Eu confesso que não entendi a expressão "totalmente", quando você fala sobre a inexistência de democracia. Talvez a democracia que você quer não exista, mesmo. Mas a que eu quero também não existe, e todos podem se colocar em nossas posições de determinada insatisfação. Somos pessoas diferentes, respondemos de formas diferentes, estamos presos à condição de "sapiens sapiens". A meu modo de ver, por vivermos em sociedade, algumas reinvidicações apenas não são cabíveis. Mas não quer dizer que eu seja um ditador.
6) espero que ninguém assimile minhas palavras com citações do tipo "pão e circo" ou "vítimas que fazem a roda girar". A questão é totalmente diferente. Espero, Anônimo, que você entenda meu ponto de vista sem conjecturas próprias e preconceituosas, assim como escrevi no post e assim como venho replicar.
No mais, democraticamente lhe garanto o direito de resposta sem nenhuma espécie de retaliações.