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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

E eu com tudo isso?

Há pouco foi aprovado um aumento de 62% para os nossos deputados federais. Isso era considerado uma atitude urgente, então será colocada em vigor a partir de 1° de fevereiro de 2011. Até que vai ajudar nesse carnaval, hein!

Mas no final das contas eu não estou afim de escrever especificamente sobre o Congresso em si ou até mesmo culpar este redator ou aquele criador desta tão ilustre e oportuna ideia. O que vem à minha cabeça quando a notícia "vazou" são duas pessoas que não tem absolutamente nada a ver com isso. É, eu falo dos fãs do Restart.

Isso mesmo, essa turma tão forte que ou você ama de coração ou você odeia com toda sua alma (assim como quase tudo nessa vida). Bom, essa turma um dia quis ir pra um Show do Restart e deu o maior rolo. Eles queriam ver o espetáculo, mas na última hora foi cancelado. Eis o problema: todos os fãs tiveram que voltar pra casa desolados. Mas o que marcou mesmo foram duas declarações de fãs que com certeza você lembra por ter visto em algum lugar: uma menina que chorava enquanto dizia que "isso é uma puta falta de sacanagem" e um outro jovem que ameaçou a banda com a célebre frase: "vou xingar muito no Twitter".

Olha, por incrível que pareça, é desse jovem que eu lembro quando vejo as hashtags "fogo no congresso" ou "vergonha alheia". Porque são coisas que as pessoas fazem justamente porque querem massagear o próprio orgulho ou então de alguma forma te dizer que estão abalando as estruturas sociais ao fazer tal revolução. Honestamente, amigos, isso leva de nada a lugar nenhum.


No final das contas, nosso egoísmo é tanto que a gente faz as coisas apenas pra dizermos pra nós mesmos que estamos de olho em algo. Então quando a galera diz que é contra o aumento de 62% ou qualquer outra coisa, o que acontece? Uma hashtag. Poxa, que eficiência, hein. Mas já é suficiente para nossos amiguinhos verem que nós somos jovens engajados politicamente e todo mundo deveria seguir nossos exemplos e blablabla. Enfim, estamos também mascarando uma grande realidade chamada Inércia simplesmente tapando o Sol com a peneira e encobrindo o fato de que nós não estamos fazendo absolutamente nada.


Obviamente existem várias formas de se mudar esse rumo. Uma delas é incitando as pessoas ao redor a participarem de debates políticos, a verem como as coisas funcionam ou até mesmo apenas mostrando os fatos. Mas de novo caímos no problema da maquiagem, porque não basta apenas mostrar. Tem que incitar. Não é suficiente que eu lhe diga que algo está errado, porque, no final das contas, tudo é uma questão de opinião. Assim, pra simplificar eu diria que a gente precisa apenas... hun... parar de massagear o próprio ego e pensar que as coisas têm mais profundidade.

Lembram quando eu disse no post "A Voz" que em alguns dias tudo se esquece? Então... isso acontece porque a gente tá olhando só pra si mesmo. Se pensássemos nos demais, no mundo ao redor, as palavras e a indignação durariam mais tempo. Mas é tudo moda. Vamos sair repetindo o que é dito por aí e a imagem já vai ficar legal. Seja votando, seja escrevendo, seja falando. É ser uma porta aberta para qualquer baboseira que vier de fora. É dar ouvidos para aquele monte de gente que abusa do poder ou da popularidade pra não falar absolutamente nada. É, enfim, ser um amplificador de vozes mudas.

Então, amigos, espero que sempre que debatermos sobre assuntos  tão complicados, nós não fiquemos apenas xingando todo mundo ou querendo mostrar pra Deus e toda a torcida do Flamengo que nós sabemos algo. Mas seria bom se buscássemos coisas aproveitáveis nisso tudo para, principalmente, podermos iniciar uma nova revolução. Revolução de voto, de costumes, de palavras, de pensamentos.


Lembremos então que fortes atitudes valem mais que palavras, e fortes palavras valem mais que atitudes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Verdades ociosas e bolorentas

"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me à uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar. O estilo, a casa com o terreno em volta e o entretenimento não representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no vestíbulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhança havia um homem que morava no oco de uma árvore e cujas maneiras eram simples. Teria feito bem melhor visitando aquele homem. 

Até quando nos sentaremos à porta de casa a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? É como se alguém começasse o dia com paciência, contratasse alguém para lhe fazer o trabalho braçal e saísse para praticar a mansidão e a caridade cristãs com bondade premeditada!"


Texto de Henry David Thoreau

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

*Em resposta*

Em resposta ao  comentário feito na publicação anterior, "demo-cracia": http://aquieoque.blogspot.com/2010/10/demo-cracia.html#comments 

Respondendo ao "Anônimo":

Antes de mais nada, só quero lembrar que as opiniões aqui contidas são de total responsabilidade do autor individualmente (ou em conjunto, apenas quando citado), não representando necessariamente a opinião de todos os escritores do portal "Aqui É O Que?". Assim sendo, quero numerar alguns pontos:

1) ao meu ver, votar no Tiririca foi realmente um protesto (infeliz, como comentado). Assim o vejo por claras evidências da opinião dos entrevistados sobre o assunto, já que todos diziam que "pior que tá não fica" (sic), "lá só tem palhaço, mesmo" ou "é assim, já que nos fazem de palhaço". Existem, obviamente, pessoas que votam no Tiririca por pensar que ele pode ser um bom candidato, mas não devemos tomá-los como maioria ou massa organizada. Mas obviamente ninguém pode dizer que votou nele por causa das propostas apresentadas...

2) Outros, em grande quantidade ou não, votam no tiririca apenas por não levar a sério a eleição. Aí, amigo, a culpa é sua. A culpa é minha, nossa; a culpa é de todo cidadão que ouviu isso e continuou andando. De todo cidadão que tem voz, mas continua calado e se torna conivente com a situação. Entenda que, democraticamente, ninguém é obrigado a pedir votos apenas de pessoas conscientes, oras. É cabível a nós,  "sujeitos-não-tão-infelizes-assim", mostrar que política é coisa séria. - acho que já escrevi algo parecido antes... -

3) Democracia não significa, jamais significou, nem nunca significará "ato de revolução". É necessário um conhecimento do tema para se entender a diferença entre greve e revolução, greve e guerra, guerra e revolução. Assim, veja que greves existem... mas as leis, obviamente, também.

4) Sua opinião aqui foi registrada integralmente, e a minha também. Nós vivemos, Anônimo, em um Estado de democracia "realista" (explicarei em "5"). Nós temos, sim, o livre direito de defender nossas opiniões. Assim, sendo a televisão, o rádio e os jornais concessões privadas, estes têm o total direito de defender a opinião que lhes convém. A culpa não é da política. A culpa é do interesse político dos meios de comunicação. Um possível canal público, a molde de "TV Senado", "TV Assembléia", deveria mostrar os órgãos públicos como funcionam, sem opiniões, apenas o "cru". E por acaso é assim que é.

5) Democracia normalmente é confundida dentre seus quatro âmbitos. Recomendo então uma leitura do Livro "Política", de Aristóteles, o "grande pai da democracia". Democracia é constitucional, censitária, factual ou popular. Com excessão à última modalidade, o Brasil vive as três formas simultaneamente. Felizmente, pois a democracia popular é a mais aterrorizante forma existente. Onde não existem ordens, onde cada um faz a sua própria lei, onde haveria um único tirano com 190 milhões de pares de olhos, 380 milhões de braços e pernas. Eu confesso que não entendi a expressão "totalmente", quando você fala sobre a inexistência de democracia. Talvez a democracia que você quer não exista, mesmo. Mas a que eu quero também não existe, e todos podem se colocar em nossas posições de determinada insatisfação. Somos pessoas diferentes, respondemos de formas diferentes, estamos presos à condição de "sapiens sapiens". A meu modo de ver, por vivermos em sociedade, algumas reinvidicações apenas não são cabíveis. Mas não quer dizer que eu seja um ditador.

6) espero que ninguém assimile minhas palavras com citações do tipo "pão e circo" ou "vítimas que fazem a roda girar". A questão é totalmente diferente. Espero, Anônimo, que você entenda meu ponto de vista sem conjecturas próprias e preconceituosas, assim como escrevi no post e assim como venho replicar.

No mais, democraticamente lhe garanto o direito de resposta sem nenhuma espécie de retaliações.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

demo-cracia

 ¬ Além do que se vê, existiria no entanto alguma real e justa explicação para votarem no Tiririca?

Ah, aquela máxima que diz que "todo povo tem o governo que merece" eu acho bem verdadeira, mesmo. Mas por um lado a gente pode tirar algo bom disso, sim...

Acontece que a democracia brasileira é uma coisa muito recente, então o pessoal ainda tá aprendendo a protestar. Os votos do Tiririca foram um protesto, tenho certeza. Mas um dia isso teria que acontecer, porque aí descobririam, logo depois, que protestar é uma coisa muito diferente do que imaginam.

É tudo fase... Nós todos, como massa, ainda não sabemos protestar. A gente coloca fotos em um álbum do Orkut com a legenda "eles não têm o que comer" ou então "os bois não gostam de filé humano". A gente faz um puta movimento estudantil pro professor adiar a prova bimestral e a gente adora xingar a América. A gente sempre quer revolução, mas não é capaz de apertar um botão pra mudar de canal. A gente vê política só em época de eleição, sabe. Na verdade, a gente acha que política só existe em época de eleição. Então tem gente que quer protestar, então
vota em palhaço. Afinal, "lá é tudo circo e blablabla". Mas isso não significa que a pessoa seja realmente infeliz. Significa apenas que há muita gente com muito a aprender(e bota muito nisso).

Olha, a fase de agora é a melhor fase de todas. A fase em que todos os argumentos são válidos, todas as informações são pertinentes. Ninguém espera nossa opinião, mas a gente pode muito bem externá-la sempre que achar justo. Cabe a nós, sujeitos-não-tão-infelizes-assim, mostrar a todos ao nosso lado que política existe em todos os momentos. Cabe a nós mostrar que o povo ainda quer honestidade. É necessário dizer ao mundo que não somos apenas aquilo o que eles pensam de nós. Nós também temos uma opinião, a gente quer mudança, e quer mudança já! Não foi por acaso que a Idade da Pedra acabou. E isso não aconteceu porque se esgotaram as pedras, mas sim porque se chegou à conclusão de que aquilo não mais supria as necessidades. A nova era já está logo ali, gente. Mas pra isso acontecer, um pensamento precisa se tornar realidade: o mundo tem que saber que nós estamos de olho. 

Então, de coração aberto, espero que nós não obedeçamos cegamente as ordens de uma caixinha na estante da sala. Que aquele tubo não seja nossa única fonte de opinião e voz. Muita coisa acontece, mas o povo brasileiro não deveria ficar sabendo, então por isso muita coisa não aparece na televisão. Mas não vamos deixar todso mundo em paz, não. Sabe, todo representante eleito tem que sentir que representa um povo, e não apenas o seu próprio bolso. Se algum eleitor acha que um político é uma pedra em seu sapato, que então a mesmo modo este eleitor seja pedra no sapato do político, também. Não vamos deixar algum qualquer fazer o que quiser com nosso dinheiro. Mas então surge um problema. E isso, sim, é muito pior do que votar em palhaços, idiotas, analfabetos ou frutas: o problema maior é quando essas pessoas que são a grande esperança de futuro do país esquecem da responsabilidade delas e, uns dois meses depois das eleições, levam suas vidas como se esses candidatos nem mesmo existissem. Por isso, ser conivente é tão ruim quanto ser palhaço, ser uma fruta, ou até mesmo ser analfabeto.

Se as mudanças ainda estão longe de acontecerem, não sei. Mas aos poucos percebo uma leve mudança no povo brasileiro, principalmente a parcela jovem. Então vamos aproveitar toda essa nossa avidez característica para fazermos algo realmente revolucionário. A gente não tem pólvora, mas tem coisas muito mais fortes que isso: a gente é idéia, a gente é voz, a gente é força. E os únicos capazes de nos vencer somos nós mesmos...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A riqueza dos humildes.

Acontece que um dia os outros vão entender que viver nos limites e Carpe Diem são coisas que exigem extrema responsabilidade. São prêmio aos que vivem além de objetivos e estatutos, medos e ociosidades. É uma beleza além de todas as marcas, uma força que existe além de toda a fraqueza.

Então, assim, num lapso de espontaneidade e realismo, o mundo se torna algo bom. O sorriso vem a ser uma consequência, e não uma necessidade. Um instante de vida além de todas as formas, Um fruto que todos podem comer, mas muitos não querem provar.

sábado, 5 de junho de 2010

O show do Novo Milênio

Meus primos, quero que vocês todos vão às suas janelas! Vão às suas janelas e gritem: "Estou cansado das drogas! Estou cansado das crianças que já nascem de viciados em crack! De pais infectados pela AIDS! Estou cansado dos altíssimos e pontiagudos sensos de segurança nacional em contraste com os bons nacionais trazendo para suas casas os cada vez menores salários mensais."

Eu estou cansado... vocês estão cansados... todos estamos cansados.Cansados desses fanáticos da Bíblia mercadores de Deus, de todos os tipos de aproveitadores, dos pseudo, dos inescrupulosos e dos atletas e modelos profissionais!

Amigos, quero que vocês se juntem a mim, quero que vocês vão às suas janelas e falem, gritem usando tudo o que puderem tirar desses arrasados, esgotados e massacrados corpos! Vão à janela e digam: "Estou cansado desses malditos e não aguento mais!"